Ouro Preto — e principalmente os universitários da cidade — tem um vocabulário próprio, moldado por mais de um século de vida republicana. Algumas gírias você vai ouvir no primeiro dia de aula; outras, só quando entrar numa república. Aqui vai o glossário completo, com exemplos de uso reais, para você não chegar perdido e já sair tirando onda.
Parte 01As pessoas da república
- Bixo
- O calouro que acabou de entrar na universidade — sim, com x, é tradição. Você vai ser chamado assim com carinho (nas casas boas) até virar morador. "Os bixo de Minas chegaram hoje na casa."
- Agregado
- Quem mora na república por um tempo sem fazer parte do sistema republicano da casa — um morador "de fora do quadro", sem os direitos e deveres de morador oficial.
- Decano
- O morador mais antigo da casa. É o guardião da memória da república e, normalmente, o responsável pelo contato direto com os ex-alunos.
- Ex-aluno
- O morador que se formou e foi consagrado pela casa. Não deixa de ser família: volta nas festas, ajuda os moradores com estágio e conselho — e fica eternizado nos quadrinhos.
- Quadrinhos
- A parede com os retratos de todos os ex-alunos da república — a linha do tempo viva da casa. Na sala da 4 Doses, é a primeira coisa que visita vê.
Parte 02A vida da casa
- Batalha
- O período de adaptação do bixo dentro da república: é quando você aprende a dinâmica da casa, as regras, conhece os amigos — e entende de onde vem o amor de tanta gente pela república. Em casa séria, batalha é integração com respeito. Humilhação é trote, e trote é proibido pela UFOP (e inexistente na 4 Doses).
- Escolha
- O grande dia em que o bixo vira morador e encerra a batalha. Nas casas tradicionais, é celebrado com uma surpresa que reúne os amigos do bixo e as repúblicas parceiras. Ninguém esquece a própria escolha.
- Caixinha / presidência
- A caixinha é o dinheiro mensal que os moradores juntam para as contas da casa; a presidência é quem administra. É o primeiro "cargo de gestão" da vida de muito engenheiro formado em Ouro Preto.
- Doze
- A festa de 12 de outubro, aniversário da Escola de Minas. As repúblicas fundadas por engenheiros fazem a grande festa do ano para reencontrar seus ex-alunos — quase um segundo Natal para as casas.
- Vinte e Um
- A comemoração do aniversário da Escola de Farmácia — a mais antiga do país, de 1839 — celebrada pelas repúblicas ligadas à escola.
Parte 03Festa e rolê
- Rock
- Qualquer festa. Repetindo: qualquer festa, mesmo que toque sertanejo, funk ou forró do início ao fim. "Vai no rock da casa amarela sábado?"
- Social
- Rock entre duas ou mais repúblicas, feito para aproximar as casas. É onde nascem as amizades (e as rivalidades saudáveis) entre repúblicas.
- Golo
- Bebida. "Leva um golo pro churrasco."
- Kamofar
- Sair para namorar. O verbo mais conjugado da primavera ouro-pretana.
- CAEM
- Centro Acadêmico da Escola de Minas — na fama estudantil, palco de algumas das festas mais doidas (e menos recomendáveis para o dia seguinte de prova) de Ouro Preto.
Parte 04Estudo e sobrevivência acadêmica
- Ferrar
- Estudar pesado. "Não vou no social hoje, tô ferrando pra prova de Cálculo."
- Fina
- As provas e respostas dos semestres anteriores — o tesouro mais valioso de uma república tradicional. A 4 Doses guarda décadas de finas no acervo da sala de estudos.
- Rancar
- Passar, vencer, superar. "Ranquei Cálculo 1!", "ranquei a batalha". A palavra mais comemorada do vocabulário.
- Catar
- Desistir de algo, deixar para lá. "Catei essa prova", "catei esse rock". Use com moderação no acadêmico.
- Borracha
- Algo fácil, tranquilo. "Essa matéria é borracha."
- Garrado
- O contrário de borracha: algo difícil, travado. "Esse trabalho tá muito garrado."
- Koxambrado
- Preguiçoso, que faz as coisas de qualquer jeito. Não seja o morador koxambrado na semana de limpeza da casa.
- RU / bandejão
- O Restaurante Universitário da UFOP — refeição completa a preço subsidiado. O capítulo de vida universitária explica como usar.
"O bixo rancou a batalha, comemorou com um golo no social e, no dia seguinte, ferrou com as finas dos antigos porque a prova tava garrada." Se você entendeu essa frase, parabéns: já pode chegar em Ouro Preto tirando onda.
Quer aprender o resto na prática? As gírias a gente ensina na mesa da cozinha, com café passado. Vem conhecer a República 4 Doses — a 6 minutos a pé da UFOP, sem trote desde 1999.
Chamar no WhatsApp